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As 10 características fundamentais de um líder

As 10 características fundamentais de um líder

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Anselm Grün, monge beneditino da Abadia de Münsterschwarzach (Alemanha), em seu livro A Sabedoria dos Monges na Arte de Liderar Pessoas, nos apresenta dez características fundamentais do líder, partindo das Regras de São Bento.

Inicialmente ele pondera que aquele que deseja ser líder, primeiro deve aprender e conseguir liderar a si mesmo o que implica na exigência do autoconhecimento. O candidato à liderança precisa saber lidar com seus pensamentos e sentimentos, com suas necessidades e paixões, pois senão ele misturará constantemente sua tarefa de liderança com suas necessidades não admitidas. E suas paixões reprimidas determinarão suas emoções e o impedirão de liderar de forma clara.

As necessidades e emoções que não forem conscientizadas serão projetadas nos colaboradores e será criada uma espécie de turbilhão de emoções, que atrapalhará o funcionamento do grupo como areia em uma engrenagem.

É de grandiosíssimo valor o caráter de um líder e Anselm Grün determina suas características, que são:

1. Experiência

Um líder precisa ter experiência na função para qual ele é chamado a liderar, ou seja, precisa estar a par de todas as nuances que envolve a tarefa. Não necessariamente precisa ser o melhor realizador da tarefa, mas precisa conhecê-la a fundo.

Ter experiência não é apenas refletir sobre algo, mas principalmente entrar em contato com este algo e compreendê-lo com os sentidos, isto é, conhecer o seu "sabor", frisando aqui que se trata de conhecimento profundo, interno e, não, superficial, externo.

2. Maturidade

O segundo pressuposto do líder é a maturidade. A palavra "maduro" está diretamente relacionada ao fruto que amadureceu e que está pronto para ser colhido e saboreado. Apenas o fruto maduro é saboroso. Um fruto verde contém paladar amargo ou ácido.

O amadurecimento do líder se dá pela sua passagem pelas diversas dimensões de uma situação. É como se diz: conhecer a primavera, o verão, o outuno e o inverno, pois cada uma das estações tem sua peculiaridade.

Uma característica da maturidade é a sobriedade, que significa não estar embriagado, ou seja, o indivíduo que não se deixa vencer pelos desejos, não se deixa levar pelos sentidos enevoados de uma embriaguez, ou melhor ainda definindo, aquele que vê com clareza e sensatez uma determinada situação, ou melhor, as coisas como elas exatamente são.

A sobriedade caracteriza-se pela imparcialidade, que acarreta na avaliação objetiva, sem envolvimento de emoções e influências tendenciosas e preconceituosas.

Para São Bento, a pessoa madura é sóbria e imparcial pois vê as coisas como elas verdadeiramente são, com um olhar espiritual, pois tudo vê como Deus as criou.

3. Modéstia

Para explicar a característica da Modéstia, Anselm Grün recorre à palavra latina edax (=voraz) e menciona que o ato de comer muitas vezes denota em nós o nosso animal interior. Quando comemos com voracidade, não desfrutamos do sabor do alimento, simplesmente o devoramos. E insatisfeitos vamos à procura de mais e mais alimentos, e queremos devorar o mundo, porque não o saboreamos, ou seja, não lhe damos o seu devido valor, queremos apenas nos saciar egoisticamente.

A modéstia é perceber a cultura dos alimentos. É contentar-se com o suficiente. É saber o valor de cada alimento e desfrutar dele; por isso, nada de voracidade e pretensões exageradas. Ao contrário, ponderação é aqui a palavra-chave.

4. Humildade

Um líder não deve ser arrogante (em latim, non elatus). Elatus é aquele que se eleva acima das pessoas, que se acha superior aos demais. Que tem necessidade de diminuir os companheiros para poder acreditar em seu próprio tamanho.

A humildade implica em aceitar a própria fragilidade e inconstância (fragilitas), em reconhecer que se é um ser humano, que cai constantemente, cuja estrutura de vida pode desmoronar facilmente. A pessoa humilde se torna mais solidária e compreensiva das limitações diversas dos seus colaboradores e se abre a estar ao lado deles e ajudá-las no que está ao seu alcance.

Enquanto o arrogante se isola em seu pedestal, o humilde se une à sua equipe e se faz um com todos. Desse modo, até mesmo os erros do líder serão melhor assimiliados e aceitos pelo grupo, que unido se ajudará mutualmente.

5. Serenidade

A próxima característica do líder é "não ser belicoso" (=non turbulentos). Turbulento significa turbulento, irrequieto, confuso, provocador de intranquilidade, e provém de outra palavra latina que é turba (=rumor, desordem). A pessoa turbulenta, irrequieta é aquela que constantemente é comandada pelo ruído de seus próprios pensamentos, puxada de um lado para outro pelas diferentes emoções que residem em seu interior. Esta pessoa não é senhora de sua própria casa, mas antes submete-se aos seus "ocupantes", as suas emoções e paixões. De alguém assim não é possível emanar liderança lúcida.

O líder sereno consegue estar consigo mesmo em paz interior e transborda esta paz e tranquilidade para seus liderados, que encontram ambiente favorável para realizar suas tarefas.

Observação: o líder somente encontrará paz interior quando não se desviar de sua própria verdade; quando puder sustentar diante de si, de Deus e de todos o que lhe aflora na quietude.

6. Senso de Justiça

Analisando o capítulo 31 da Regra de São Bento, Anselm Grün entende e afirma que o líder não deve ser rude, não deve ser injusto (non iniuriosus). Iniuria não significa somente injustiça, mas também a violência, a desonra, o dano, o ferimento. Aquele que lidera outras pessoas não pode feri-las.

Muitos pensam que liderar seria, antes de mais nada, exercer o poder. E não poucos o exercem ferindo ou magoando outras pessoas. No entanto, liderar por meio de ofensas é exatamente o contrário de uma liderança efetiva. As ofensas ferem e marcam as pessoas e as deixam doentes, trazendo, portanto, prejuízos para o grupo, inclusive econômicos.

Ser justo é entender que todos têm direito de ser eles mesmos, direito à liberdade, à dignidade, à atenção e ao respeito. Um líder deve respeitar a todos sem preconceitos e com imparcialidade. Um líder nunca exerce o nepotismo.

7. Clareza nas Decisões

Existem pessoas que não conseguem alcançar realizações, porque são muito perfeccionistas. Elas se preocupam muito com os detalhes e sempre acham que não estão suficientemente preparadas para realizar algo, mas, no fundo, o que ocorre é que elas têm medo de cometer erros, de causar decepções, de assumir as consequências da sua decisão. Por este motivo elas preferem não decidir nada e hesitam tanto a respeito de tudo, que por fim não são mais livres para decidir.

Aquele que quiser liderar outras pessoas precisa decidir-se clara e rapidamente. Ele não pode esperar até que tudo esteja cem por cento claro. A clareza nas decisões se origina da intuição – o momento em que o líder ouve a voz do seu interior e nela confia.

8. Senso de Economia

O líder deve atentar cuidadosamente a tudo que lhe é confiado. Ele não recebeu o poder sobre as coisas, mas sim a função de cuidar delas para que tudo seja tratado de modo correto, para que todas as coisas sirvam a seu fim.

Geralmente uma pessoa que esbanja as coisas é transtornada pela ausência de autoestima ou pelo caos interior. Porque esta pessoa se vê a si mesma como sem valor, precisa lidar com as coisas desperdiçando-as, necessita mostrar a todos o quanto possui a sua disposição. Estas pessoas dissipam as riquezas para, por meio de seu comportamento de ostentação, compensar a sua própria inferioridade. Porém liderança é serviço e servir é colocar-se à disposição para contribuir pela excelência.

9. Temor a Deus

Quando se exige temor a Deus de um líder, São Bento evidencia em suas regras que para ele a espiritualidade não é algo puramente sobrenatural, mas sim que se expressa por meio de uma boa administração, de uma maneira adequada no modo de lidar com as coisas. Espiritualidade não tem caráter unicamente litúrgico ou estético, mas econômico também, pois recebemos de Deus o dom de administradores, de cuidadores dos bens do mundo (Gn 2,15.19).

O temor a Deus também se expressa no respeito às pessoas. Para São Bento o temor a Deus e a fraternidade estão associados. Aquele que teme a Deus vê também nos seres humanos à imagem de Deus.

Outro aspecto do temor a Deus é a libertação do medo humano. Aquele que teme a Deus não teme a si mesmo e, portanto, se liberta do medo da crítica e do fracasso, conseguindo assim lidar com as pessoas e com as coisas como condiz com Deus, que as criou.

10. Atitude de Pai

A última diretriz, a de que um líder deva ser como um pai, pode nos parecer estranha hoje em dia. Pois nós nos rebelamos contra um estilo paternalista de liderança. Hoje o estilo de liderança está voltado para a colaboração e comunicação. Todavia, há de se considerar que um líder ser um pai refere-se a algo também muito significativo: em termos de educação, o pai é aquele que apoia a criança, que lhe dá coragem para aventurar-se em alguma coisa e para arriscar-se a cuidar da própria vida.

Para um pai o mais importante não é o prestígio mas o bem estar da família. E por ela, ele tudo fará, pois a ama.

Oxalá, muitos líderes tivessem postura e atitudes de pai, incentivando seus colaboradores a buscarem seu melhor, dando-lhes um adiantamento de confiança para que possam fazer suas próprias experiências e, principalmente, tendo o entendimento de que seus colaboradores não devem ser meros seguidores de ordens mas corajosos aventureiros que desbravarão outros mares e um dia também serão líderes (pais).


Conclusão:

Os elevados requisitos que São Bento impõe ao líder exigem um duro aprendizado de autoconhecimento e disposição de trabalhar em si mesmo. Você estaria disposto a se tornar um líder conforme as características aqui apontadas?

Espero que a leitura deste artigo tenha sido de grande valia para você. Eu me diverti muito ao escrevê-lo e aprendi bastante. Sempre aprendo quando me proponho a ensinar.

Desejando trocar informações a respeito, sinta-se à vontade para entrar em contato conosco. Eu (Aldo Marques 21 98503-7777 - com Whatsapp) e a Eunice Cardozo (11 98308-3800- com Whatsapp) nos colocamos à sua disposição para lhe ajudar em seu processo de autoconhecimento e busca de aprimoramento.

Até a próxima!

Aldo Marques

Olá! Eu sou Aldo Marques. Escritor, palestrante, criador do Programa de Superação de Limites Vencer Agora® e autor da maioria dos artigos deste site. Sou Life Coach, especializado em desenvolvimento pessoal com ênfase em espiritualidade e Analista Comportamental habilitado para a ferramenta DISC Assessment pela Sociedade Latino Americana de Coaching - SLAC, com Professional Coach Certification pela International Association of Coaching Institute. Minha paixão é ajudar pessoas a serem melhores.

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